Michaela Iacoe
Sentimentos, Poesias,  Cronicas
CapaCapa
TextosTextos
ÁudiosÁudios
E-booksE-books
FotosFotos
PerfilPerfil
Livros à VendaLivros à Venda
Livro de VisitasLivro de Visitas
ContatoContato
Textos

Amigos FCFAR UNESP, Jubileu de Prata 2018
Reencontrar os amigos depois de tanto tempo, significa localizar a nós mesmos, é estar alinhado com uma porção de nós que existiu e se diluiu, mas necessita ser ativada de tempos em tempos. É reencontrar nosso referencial, o pedaço de nossa história a partir do qual tudo o mais virou mera comparação e entender que, se algum dia fomos tocados, essa relíquia permanece conosco. Requer coragem, pois implica deixar o instinto de autopreservação em casa e se arriscar.

A gente se reabastece. A sensação é mais ou menos como voltar à terra natal, rever a casa que morou na infância, esbarrar num grande amor ou provar uma receita de família. Obrigada a todos por estarem aqui.

No feriado de 15 denovembro minha saudosa turma de faculdade reuniu-se para comemorar nossos 25 anos de formados. Muita gente, como é de praxe, não veio. Mas a maioria de “nós” estamos aqui, revendo os grandes parceiros da juventude, apresentando as famílias, relembrando histórias e diluindo as saudades.

Saudade dos amigos, de tudo o que vivemos, mas principalmente de quem fomos. De nossa versão mais simples, ingênua e até “demodê”. Saudade mesmo do que nem lembrávamos mais... pequenos incidentes que viraram anedotas... mas que os amigos lembram por nós. Daquilo que fazíamos, dos papéis que interpretávamos, dos apelidos e manias tão singulares. Revimos álbuns, contamos casos, relembramos festas memoráveis. Testemunhamos hoje a passagem do tempo no rosto e no relato de experiências de cada um. Por algumas horas esquecemos nossos dramas, a vida lá fora, as dificuldades cotidianas. A vida trouxe cicatrizes visíveis ou não, mas aqui tivemos a sensação de que o tempo não passou. De que naquele hiato de 25 anos permanecemos os mesmos, independente dos rumos e feições adquiridos.

Nesse dia ficou remoto o tempo presente e voltamos a ser os “caras pintadas” que em 1989 primeiro ano de faculdade fizemos uma grande festa, ainda que tudo acabasse em samba e cerveja. Naquela época éramos pretensiosos, debochados e unidos, e é claro que tudo funcionava perfeitamente... pelo menos é assim que me lembro.

Alguns dirão: “Ahh…isso é nostalgia sua…” Pode ser. Mas o fato é que estar ali de alguma forma me conectou à menina que fui, numa época de incertezas e indefinições em relação ao futuro, ao hoje. E ver
nós, vencedores aos quase cinquenta, me encheu de alegria. Mesmo que não tenha sido unânime a disposição para o encontro, cabe entender que para um encontro de turma funcionar de verdade é necessário deixar a razão de molho, ignorar os custos, as distâncias, o cansaço. Não contabilizar afinidades, tempo transcorrido ou divergência de mundos. Não pesar opções mais confortáveis e menos onerosas. Tudo isso só faria sentido se não houvessem memórias.

Mas hoje percebo que o tempo pessoal, medido em sua relação com a memória deveria ser o verdadeiro tempo. Existe poesia no reencontro…

Um encantamento sentido por aqueles que se deixaram cativar. Como umas amigas queridas que viajaram muitos km só para passar algumas horas conosco. Acredito que apesar do cansaço, voltarão leves e certamente poderão agregar partes de si mesmas, sob o olhar generoso e cúmplice de cada um dos presentes.

Pois como dizia o poeta: “As coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão…”
Michaela Iacoe
Enviado por Michaela Iacoe em 18/11/2018
Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras